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POUPALUZ

Governo já vê risco de apagão.

14/02/2014 - Autor
Uma semana após blecaute, Planalto muda discurso, mas diz que possibilidade é remota.
 
 
O Ministério das Minas Energia admitiu, em nota divulgada ontem durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que há risco de racionamento de energia no país em 2014. No documento, apesar de considerar “evento de baixíssima possibilidade”, o governo informa que, se ocorrerem problemas de vazões piores do que se verifica hoje, haverá “dificuldades no suprimento de energia no país”.
 
A mudança desse quadro, admite o texto divulgado ontem, dependerá de fatores climáticos, ou seja, de chuvas que sejam capazes de recompor os reservatórios das hidrelétricas. A nota foi lida pelo secretário de Energia Elétrica do Ministério das Minas e Energia, Ildo Grüdtner, que se recusou a responder a perguntas de jornalistas sobre o assunto.
 
O Comitê admitiu ainda que a preocupação aumentou porque as chuvas, e o consequente volume de águas no reservatórios, ficou aquém do que era esperado. Segundo dados divulgado pelo órgão, desde o início do ano, as reservas ficaram em 54% da média histórica nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e de 42% no Nordeste.
 
Apesar de confirmar a queda nos reservatórios, o governo continua afirmando que o risco de desabastecimento ainda é remoto. A alegação é de que existe reserva de 9% em relação à previsão de consumo estimado para o ano no país.
 
A nota divulgada ontem vai de encontro ao que vinha sendo divulgado pelo ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que descartava qualquer possibilidade de problemas no abastecimento. No dia 3, por exemplo, em entrevista, ele afirmou que o risco de desabastecimento era nulo. “Estamos com mais de 40% nos principais reservatórios. Risco zero”, afirmou Lobão.
 
No dia seguinte, o país enfrentou um apagão que atingiu 12 estados. O problema foi debitado a um problema numa linha de transmissão e classificado por Lobão como “mera coincidência”.
 
E o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, chegou a afirmou que suspeitava que o apagão teria sido provocado por raio. A alegação irritou a presidente Dilma Rousseff, que convocou Chipp e cobrou explicações detalhadas. No encontro, ele garantiu que o sistema elétrico “é robusto”.
 
Abastecimento de água ameaçado
 
O volume de água do Sistema Cantareira, em São Paulo, desceu ontem ao menor nível da histórica e aumentou o risco de racionamento de água na maior região metropolitana do país. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume chegou a 18,8% da capacidade.
 
O Sistema Cantareira abastece as regiões norte e central e parte das zonas leste e oeste da capital paulista. Também recebem água de lá as cidades de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul, Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.
 
Ontem, técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA), do Departamento de Águas e Energia Elétrica, estadual; e da Sabesp, tiveram uma reunião para buscar alternativas e evitar desabastecimento. Hoje, eles vão divulgar um documento indicando ações para evitar o racionamento. A Sabesp se antecipou e promete desconto de 30% na conta a consumidores que economizarem 20% em relação ao consumo médio de 12 meses.
 
Fonte: O DIA